O Piercing e o Futuro

Levítico 21:5 Não farão […] lacerações na sua carne
Levítico 19:28 […] Nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca
I Coríntios 11:14 […] Se o homem tiver cabelo comprido, é para ele uma desonra.

A Bíblia diz que deixar o cabelo comprido (para homens), usar piercing e fazer tatuagem é pecado!!!

Não, não diz. As bases acima são mal interpretadas por alguns de nossos queridos irmãos que são contra o assunto. Veja que bela opinião abaixo:

“…uma paixão que leve à vanglória ou ostentação, seja no vestir ou no modelo de carro, seja na ostentação do poder e do ter, vai contra o cristianismo. Então não é só uma questão de tatuagem e piercing, é questão de adorno, de objeto” – Pe. Reginaldo Manzotti

Resumidamente, os textos de Levítico citados não se aplicam a nós hoje, que, além de não sermos judeus (por religião e, na maioria, por descendência), estamos na época da graça, pós-Jesus Cristo. O texto de Coríntios era especifico para os costumes do povo de Corinto. Então, não é pecado. Talvez eu fale disso melhor em outro post.

Mas eu tenho sim uma preocupação a respeito das práticas acima. Uma preocupação social a esse respeito.

Como os mais próximos de mim sabem, o grupo cristão que eu tenho maior contato, atualmente, são os ministérios underground, missões urbanas etc. Eu me identifico muito com esse tipo de trabalho. Mesmo porque um dos meios pelo qual eu me aproximei de Deus foi a “Christian Metal Force”, um movimento underground cristão, em 1992. Até hoje, meu trabalho Cristão é junto com esses ministérios, e sou baixista e fundador de uma banda de Heavy Metal, o Bloodforge.

Uma característica predominante nesse meio são os visuais diferentes dos padrões que a sociedade gosta de ver. Roupas pretas, couro, jeans rasgados ou pichados, cabelos longos, braceletes, correntes, moicanos, piercings, tatuagens, cabelos black power, roupas exóticas e chamativas, cabelos coloridos, carecas etc. etc. etc. Às vezes vemos uns gatos pingados mais “normais”. Eheheh.

Mas vamos ao ponto. Tendo nascido sem privilégios hereditários, trabalho desde os 12 anos. Sempre estudei e trabalhei ao mesmo tempo, chegando a cursar duas escolas simultaneamente. Sempre em escola estadual / municipal / industrial, gratuitas, sendo que a faculdade eu paguei do meu suado bolso.

Como eu sempre tive que trabalhar pra sobreviver, infelizmente algumas coisas tiveram que mudar, e, em Janeiro de 1996, em uma entrevista de emprego, o corte do meu tão amado cabelo de meio metro foi solicitado. Que frustração.

Infelizmente, essa é a realidade da sociedade brasileira. Não importa somente o seu grau de competência, seu grau de compromisso. A aparência ainda conta, e muito. E não adianta colocar um terno sobre um corpo onde, na cabeça, ainda aparece o cabelo, o piercing, o brinco ou uma ponta da tatuagem.

Veja essas citações da tão famosa revista (argh) Você S.A.

“Ninguém espera encontrar um executivo de cabelos longos ou volumosos. Para os homens, a regra é uma só: cabelos curtos e com aparência de limpos.”
http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0089/fechado/materia/mt_101238.shtml

“Eu detestava a idéia de usar terno e gravata, e ainda tinha cabelo comprido, que precisei cortar quando passei a comandar negociações entre a agência e grande parte dos clientes”
http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0125/aberto/materia/mt_400938.shtml

Eu concordo? Não. Nem um pouco.
Seria bom que todas as empresas agissem como, por exemplo, a empresa Google, que não tá nem aí se o cara vai trabalhar de chinelo.
Mas na maioria dos lugares não é assim. PRINCIPALMENTE no Brasil, lugar cheio de culturas tradicionais, conservadoras e preconceituosas.

E é aí que vem a minha preocupação.
Não estou me referindo aos velhos de guerra. Esses já acharam seu lugar ao Sol.
Alguns conseguiram tirar seu sustento em áreas onde o visual não conta: Músicos, Web Designers, Artistas em geral, publicitários, jornalistas, até mesmo os missionários que trabalham na obra evangelizando pessoas do meio underground.

Minha preocupação é com os mais jovens. Hoje, nosso mercado é totalmente instável. Desemprego comendo solto, demissões por causa da crise, baixos salários etc. Será que o adolescente está sendo instruído por nós, os velhos de guerra, de que um brinco ou um piercing visível pode fechar a porta de um emprego pra ele? Ou que uma tatuagem mais aparente pode causar discriminação por parte do entrevistador? Ou que a empresa pode não aceitar homens de cabelos longos?

Mais uma vez: eu sou contra esse preconceito. Costumo dizer que meu coração é cabeludo. Mas não podemos deixar de instruir os jovens de que visual é menos importante que trabalho. Que o sustento da futura família dele pode depender do que ele escolher nessa fase. Que ele pode vir a ter problemas financeiros na vida, e que uma formação sólida e um bom emprego podem ajudá-lo a superar crises.

Antes de escolher seu visual, escolha sua família, seu trabalho, o sustento dos seus estudos, e da (o) futura (o) esposa (o) e filhos que você pode vir a ter. Isso é mais importante.

Abraço
BATHMANN

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6 Respostas to “O Piercing e o Futuro”

  1. Marcus Lopes de Jesus Says:

    O episódio na história da humanidade que trata sobre piercings e tatoos se tornou uma tradição negativa em nossa sociedade.
    Muitos dos meus amigos sabem que sou fa do Bruce Lee, não simplesmente pelo artista marcial que ele foi, mas também pelo ser humano que era. E uma das suas características humanas que eu mais admiro é a de respeitar e cumprir as tradições fielmente…porém, se houver uma chance, tentar provar o contrário, apontar o erro da tradição e mostrar uma solução.
    Trazendo isso para nossa realidade, acredito que devemos nos preocupar (infelizmente) com nossa aparência, se pretendemos dar um futuro melhor para nossas famílias. Porém, a partir do momento que podemos provar o contrário, que podemos viver bem sem que precisemos ser escravos de um visual corporativo, devemos fazer isso com toda a garra possível, para que essa mudança cause um grande impacto.

  2. Meu caro amigo Barth. Essa é uma questão complicadíssima, a qual eu mesmo enfrentei esse tipo de discriminação (e no meu atual emprego, ao saberem de como sou fora da empresa, já enfrentei(o)). Simplesmente não podemos deixar de dizer aos nossos filhos que visual não importa, ou os iludiremos com esse pensamento e talvez tenham dificuldades de conseguirem uma posição profissional que sonhem ter, justamente por não seguirem tais ensinamentos dos pais.
    Porém acredito que, acima do visual, devemos instruí-los de que, independente do que queiram ser profissionalmente, sejam os mesmos em casa e na empresa (honestos, fiéis, trabalhadores, dedicados, sonhadores e idôneos).
    Aí na empresa em que vc trabalha (por onde já passei), conheci um cabeludo que não concordou com que eu tivesse cortado o cabelo, pois não é isso que deveria importar. Que coisa, não?
    Bem, é isso. Um grande abraço e fique com Deus!

  3. Interessante levantar a questão dos ministérios undergrounds.
    Às vezes é dada tanta importância aos piercings e tattoos por alguns quanto o mercado dá aos ternos e topetes.

    O que é, de fato, importante?

    Mercado:
    Aparência vs. Competência

    Vida Cristã:
    Aparência vs. Caráter

  4. E ae, mano!! Blz?! Lembra d’eu?!? 🙂

    Só pra registrar que agora eu achei o seu blog, então vou começar a acompanhá-lo!! Quem sabe assim eu me animo a voltar a escrever e faço um blog meu tb?!?!

    Ah, pra registrar: li todos os seus os seus posts e descobri que tb sou um cristão estranho! Hehe!

    Abraços!!

  5. Rogério Paz Says:

    É isso mesmo meu irmão!!!! Eu ainda sou um daqueles teimosos que não cortam o cabelo. Consigo transitar entre o povo underground e os hiper- tradicionais baptistões portugueses, e fiquem a saber que eles são mesmo tradicionais. A uns dias atrás veio uma irmã já de idade e me disse que gostava muito de me ver cantar e das minhas pregações, mas que ela também gostava muito de me ver de cabelos curtos. A minha resposta a ela veio em forma da seguinte pergunta: A Senhora me amaria mais se eu cortasse o cabelo? Fiquei até triste ao ver que ela nem tinha como me responder.. Enfim.. Em um meio que vemos tantos ladrões e “trambiqueiros” de gravata, ainda existem pessoas que dão mais valor a aparencia que ao carater.

  6. Dijane Gaeta Says:

    olá
    acho que eu sei qual foi o emprego que te mandou cortar o cabelo…rsrsrs
    infelizmente nossa sociedade exige isso de nós…e o mais dificil ainda é enfrentar nossos próprios irmãos cristãos cobrando esta pseudo-santidade da gente.

    gostei de seus posts..vou ler sempre
    abraço
    familia Gaeta

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