Tenho tido bastante contato no meio “cristão underground”, que recentemente tem sido mais conhecido como “missões urbanas”. Muitos dos meus grandes amigos são pessoas totalmente envolvidas em grandes ministérios, e eu mesmo sou da liderança de um deles.
Com o crescimento desse movimento, algumas partes da sociedade, antes totalmente (ou, pelo menos, parcialmente) esquecidas, estão sendo impactadas com a mensagem do evangelho. Prostitutas, mendigos, artistas, homossexuais, emos, clubbers etc., pessoas esquecidas pelo sistema cristão tradicional, agora são apresentadas ao evangelho puro e simples, sem rótulos, usos ou costumes.
Estou escrevendo por causa de uma coisa que tenho ouvido com bastante freqüência nesse meio. A última referência que me vêm à mente foi no Tribal Generation 2009, em São Paulo.
Ao surgir uma questão sobre “ministério com Headbangers”, uma das respostas foi “Temos que parar com isso, de só evangelizar Headbangers. Todas as pessoas precisam de Cristo, então temos que ganhar todas as pessoas”.
Hmm… frase legal, e faz todo sentido.
Mas eu fico preocupado com a forma de trabalho.
Sabemos que cada “tribo” tem um jeito específico. Eu sempre fui extremamente a favor de trabalharmos com todo e qualquer tipo de abordagem. Lembro quando surgiu o F.O., um grupo de pagode da Renascer. Puxa, eu no auge dos meus longos cabelos, dividindo meus fins de semana entre minha banda de “White Thrash Metal” Crownthorn, as idas ao “Refúgio do Rock” no Ipiranga, e nas reuniões da C.M.F. na Renascer da Lins, não suportava pagode!! Mesmo assim, sendo TOTALMENTE avesso ao estilo, encorajei um grupo de amigos da minha igreja a seguirem o exemplo do F.O. e montarem um grupo de pagode cristão. “Que o evangelho cavalgue nas mais diferentes montarias!”, pensava eu.
A minha preocupação com a afirmação acima citada no início, foco desse post, é saber que algumas pessoas aderidas a alguns tipos de tribos, simplesmente não aceitam abordagens diferentes das que elas estão acostumadas. E falo isso por causa da minha própria experiência pré-conversão. Uma das coisas que me firmou com Deus foi o, na época assim chamado, White Metal. Vengeance Rising e Believer são culpados diretos disso!
) 
Alguns ministérios “urbanos” trabalham com street dance. Outros, com skatistas. Surfistas, grafiteiros, rappers, teatro etc. etc. etc. Dificilmente trabalhos “coloridos” como estes chegarão ao metaleiro, ou até mesmo ao gótico. Claro que, pela graça de Deus, podem chegar. Mas, pensando dessa forma, a igreja “Deus é Amor” também conseguiria. E consegue! Então, vamos parar de “ser diferente”. ????
Outra coisa que me vem à mente, vem do mundo corporativo. Foco.
Uma empresa deve estabelecer o seu foco, o seu nicho de mercado, ou ser extremamente cuidadosa com seu mercado. Algumas empresas optam por deixar de trabalhar com alguma área de mercado não relacionado com seu foco principal como, por exemplo, a Volkswagen, que vendeu sua divisão de Caminhões para a empresa MAN, pra que pudesse focar no negócio “automóvel”. Por outro lado, algumas empresas, como a Bosch, ampliam cada vez mais seu leque de mercados, mas com estratégias extremamente específicas e fortes, para manter seus negócios, por mais diversificado que sejam, focados e sólidos.
Do mesmo modo, entendo que devam existir ministérios que, por mais abrangente que sejam, devam focar os grupos a serem alcançados, para que todo o espectro da sociedade seja abrangido. Não podemos esquecer os grupos mais difíceis, mais radicais, que precisam de um trabalho específico e direcionado.
Assim, há espaço para todos, e creio que todos são necessários, do Batista fundamentalista ao Headbanger cristão. E todos deveriam se abraçar e se apoiar.
Excelsior!
BATHMANN
o universo teria encolhido ou se expandido tão rapidamente que não haveria possibilidade de as estrelas e as galáxias se condensarem em sua matéria básica… A moeda girou no ar 1.000.000.000.000.000 vezes e caiu em pé uma única vez. Se todos os grãos de areia de todas as praias da Terra fossem universos possíveis – ou seja, universos que fossem consistentes com as leis da física como as conhecemos – e apenas um desses grãos fosse um universo que permitisse a existência de vida inteligente, então esse único grão de areia é o universo que habitamos”



